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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A NOITE EM MIM




Alberto Afonso Landa Camargo

Meus olhos não vêem um céu estrelado,
Coberto que está pelas nuvens negras do tempo...
Minhas lágrimas perderam a liberdade,
Confundidas que foram com a torrente
De águas que escorre pelo meu rosto
E vertem-nas em correntezas comuns
De um sonho qualquer...
Meus passos não mais seguem o rumo
Que tracei na estrada,
Silenciosa que está porque não há vento
A levar meus pensamentos
E conduzi-los pelos caminhos...
Parei no tempo a contemplar o vazio,
Foram-se as esperanças,
Perdi o passado, esqueci meus sonhos
E parei de sonhar...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

MARÉ BAIXA




Nadir A D’Onofrio
Ah! quem dera, a maré baixa
Enxugasse meu pranto
Deixasse leve minh’alma
Quebrasse o encanto


Metamorfoseie a realidade
Vivendo a ilusão
Vestida na ambigüidade
Desacelere coração...


Não se equipare a onda revolta
Querendo perfurar rochedo
Tsumani que devasta!


Seja a calmaria do luar
Sobre o mar, como esteira
Curve-se...deixe o furacão passar...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

INDIFERENÇA




Alberto Afonso Landa Camargo

Nem lembro quantas vezes parti
e voltei,
pouco me importa por quantos caminhos
andei
nem as pedras no chão que aos trancos
pisei...

Nem quero saber dos dias passados,
sofridos,
dos meus ímpetos nem sempre
contidos,
dos males do coração
emergidos
muito menos dos sofrimentos
e castigos...

Quero hoje a paz da tarde outonal,
amena,
a visão das folhas secas caindo,
serenas...

Quero os amores todos para trás
deixados,
fluindo no piscar dos olhos
marejados,
contemplando a tarde que se esvai nos sonhos
passados...

domingo, 15 de novembro de 2009

IN EXTREMIS




Alberto Afonso Landa Camargo

Quando eu morrer
Quero o sol esmaecido
Da tarde de um outono qualquer
A dar contornos no tapete de folhas
Que cobre o chão...
Enquanto outras caem
Valsando no ar
Para misturar-se ao cheiro
Da terra deste entardecer sereno
Que se derrama nos rostos
Molhados pelas lágrimas...
Ah!... O espírito... Este?...
Ele irá desprender-se mansamente
E caminhará acenando
Ao ritmo das folhas
Enquanto estalam garavetos
Sob os passos de quem é vento,
Brisa suave que se vai
Para nunca mais voltar...

SUPREMO DESEJO




Alberto Afonso Landa Camargo

Cheguei...
E superficial
Não vivi a intensidade
Dos amores que tive...

Passei...
E desperdicei meu tempo
Nas futilidades de quem pensava
Ser eterno cada instante...

Vivi...
Como quem não ama
E despista o amor
No seu verdadeiro explodir...

Mas quando eu morrer
Quero levar cada instante vivido,
Deleitar-me na intensidade
De cada momento que desprezei...

Se for tarde demais,
Basta que me consolem as lembranças
Como canções de ninar
Embalando o meu sono...

LEMBRANÇAS




Alberto Afonso Landa Camargo

Vou ficar com
o que tu me deste.


Tuas lembranças
giram ao som
dos meus dias...


Voam ao redor
no meu quarto
sozinho
para serem eternas
enquanto resisto...

sábado, 14 de novembro de 2009

FIM DO CAMINHO




Alberto Afonso Landa Camargo

Passei... passaste pelo mundo agora
Neste caminho de horizonte cheio,
Como se o ontem não fosse mais outrora,
Como se o hoje não fosse o que creio.

Fiquei... ficaste neste triste embora
Que marcou saudade neste meu seio,
Lembrança amarga, viva, que se chora
Trepidar fremente de nosso enleio.

Estrada eterna, nua de lembranças,
Deserta de saudade, amargo vinho,
Fremir constante de minhas andanças...

Testemunha do meu ardente carinho
Apressaste-a com minhas esperanças
Para sumir na curva do caminho...

A NOIVA MORTA




Alberto Afonso Landa Camargo


Como se a morte lhe realçasse a beleza
Parecia dormir em sua palidez.
Deitada estava em branco a noiva do infortúnio
E em seu sonho eterno a Virgem se consumia.


Quem visse o corpo inerte na sua Pureza
Teria em toda aquela branca placidez
Não mais que da suprema Morte o eterno eflúvio
De quem na vida para o Amor viveu um dia.


Era o retrato da alma Pura adormecida
No leito, pálida, a irradiar na tarde amena
Raios do poente a esperar a lua amiga.


Era o branco véu cobrindo a face serena
Onde, na transparência, em muda despedida
A boca inerte em beijo mudo adeus acena.

TEUS OLHOS




Alberto Afonso Landa Camargo


Ainda que artista fosse
não teria como pintar teus olhos.
Um verde-mar distante
não cederia as cores que preciso
e os tons borrariam a tela
no tremor das minhas mãos.
Meus olhos não veriam os teus
que de tão perto sofrem com a distância
e num filosofar platônico
só contemplam o horizonte sem fim...

LÁGRIMAS




Alberto Afonso Landa Camargo

Se hoje chorasse
como nos meus tempos de menino,
ainda verteriam lágrimas
dos meus olhos vazios de esperanças.
Se me faltam as lágrimas
a irrigar os sulcos do tempo
é porque o menino chorou-as todas
com os sentimentos da criança
que não mais habitam o adulto
na introspecção solitária
que abriga, egoísta,
as lágrimas que não vêm...