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terça-feira, 25 de maio de 2010

INTERROGAÇÃO


Alberto Afonso Landa Camargo

Para lá dos tempos
Continuarei a viver esperanças
Não interromperei minhas caminhadas
Nem os sonhos que criei...
Levarei a história passada
Viverei cada momento de hoje
Acenarei ao futuro,
Esta espera conhecida
Que será outra vez a história, o presente
E outro futuro a dizer
Que as marcas de hoje
Nada mais foram que a preparação
Das notas dispostas na pauta...
E ao olhar para trás lá estarão
Os sulcos dos meus passos
Quem sabe a marcar o caminho
A garantir o retorno... uma dúvida
Que não sei resolver...

domingo, 23 de maio de 2010

ETERNO


Alberto Afonso Landa Camargo

Sempre que digo teu nome
Embarga-me a mesma voz adolescente
Que um dia o pronunciou
Pela primeira vez...

Sempre que rabisco meus versos
Tremem-me as mesmas mãos adolescentes
Que para ti escreveram
O primeiro poema...

Sempre que te olho
Embaçam-me os mesmos olhos adolescentes
Que na tarde outonal te viram
Pela primeira vez...

Sempre que acaricio teu corpo
Incendeia-me o adulto
Com o mesmo amor adolescente
Do primeiro encontro...

domingo, 25 de abril de 2010

O CAMINHO DO CÉU



Alberto Afonso Landa Camargo

O louco sozinho caminha na noite,
Para na igreja, contempla a torre
O caminho do céu...
A porta se fecha, à torre não chega,
As estrelas cintilam, os olhos se cerram
E o louco sozinho
Está longe do céu...
Chega outra noite de estrelas sem brilho
E o louco sozinho na frente da igreja
Olha a torre,
O caminho do céu...
A porta está aberta, pisa os degraus,
Chega no alto da torre imponente,
O caminho do céu...
O brilho dos olhos acende as estrelas
A distância não cede...
Ele olha os astros
Longe das mãos, sentidos aos olhos,
Na distância perdidos, apagando esperanças
De ver o caminho...
E o louco sozinho, triste descobre
Que a torre imponente não é o caminho
Que leva ao céu...

E ele vaga perdido na noite,
Não há brilho de estrelas
Nem caminhos ao céu...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

POSSE


Alberto Afonso Landa Camargo

Tenho meus sonhos
A conduzir minhas mãos
Que rabiscam versos...

E quando não mais sonhar
Sofrerei a sua falta
Perdido que estarei
Nas minhas divagações...

quarta-feira, 31 de março de 2010

O SILÊNCIO DOS VERSOS


Alberto Afonso Landa Camargo

Vou silenciar meus versos,
Varrê-los do planeta
Para não aumentar as frustrações...
A platéia está ali,
O auditório está lotado
Mas as mentes estão ao largo...
Os olhos não fitam o palco
E não mais que três pares de mãos
Batem palmas,
Quem sabe por pena
De quem pensava ser poeta.
Platéia e palco se confundem,
Não mais estarei nas luzes
E enquanto aplaudo os que estarão,
Silenciarei meus versos
Para enfim sepultá-los
Na minha intimidade,
Única leitora das próprias mágoas...
Vou seguir solitário
A dizer da minha alma...

sexta-feira, 12 de março de 2010

A SOMBRA


Alberto Afonso Landa Camargo

Da janela embaçada vejo a lua
Clareando a solidão deste momento,
Pelas noites desfila a imagem tua
Num ondear escuro e de passo lento.

Ajudam as folhas e ajuda o vento
Acalentando livre a sombra nua
Que se sobressai neste encantamento
Em que este quadro belo continua.

No vaivém que povoa a suave brisa,
Do sereno que sai da pedra lisa
Desnuda-se também a noite clara.

O alegre saltitar do gênio errante
Cobre a lua que se vai neste instante
E eu choro o adeus da sombra que ficara.

quinta-feira, 4 de março de 2010

INFINITO


Alberto Afonso Landa Camargo

Quando eu partir
Vou deixar-te todo o amor do mundo,
Um amor controverso
Talvez sem demonstrações vivas,
Mas um amor intenso que já tens
(Sempre tiveste)
E que vi em teus olhos
Quando conheci tua alma...