Seguidores

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

RELÍQUIAS E SONHOS


Alberto Afonso Landa Camargo

Fiz de relíquias
Enfeites para o meu coração.
Pulsaram sonhos, matéria
Com formas, jóias
De prazer que os
Olhos admiraram...
Brilho intenso
Nas noites de festins e a troca
De amores fúteis,
Vãs professias nas cartas
Escritas só pelas mãos...

Vieram os anos,
Gastaram-se as relíquias
Que perderam o brilho,
Espatifadas no chão
Mais infecto
Dos meus sonhos...
Foram-se os prazeres,
Não pela minha vontade,
Mas porque faltaram
As atrizes dos festins
Que riram de mim
E dos meus cantos...

Fiquei sozinho
Sem partilhar as saudades,
Só elas, que movem
Meus sonhos esquecidos
E que só vivem
Em minhas divagações...

domingo, 19 de setembro de 2010

INCOMPLETA


Alberto Afonso Landa Camargo

É esta ânsia incontida de dizer tantas coisas
Que me põe em choque com meu coração.
Enquanto ele exige que palavras brotem
Não as encontro...

Aspiro a tua imagem quando entra o luar
No meu quarto... parece que deslizas pelos raios lívidos
Que serpenteiam no brilho da poeira
Que joga diamantes no ar.

Brotam inspirações para descrever-te,
Parece que enfim as palavras encontro
Mas acaba ficando a ânsia de não saber dizer
E te postas incompleta.

Que desgosto ser poeta e não encontrar versos
Para descrever-te... ter-te inteira refletida no coração
Mas incompleta nas palavras que escrevo...

E continuas ausente na minha poesia...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

SENSAÇÕES


Alberto Afonso Landa Camargo

Caminhos dispersos, encruzilhada
Por onde também sem rumo transito...
Procuro sonhos perdidos na estrada,
Sabor amargo do tempo esquecido...

Desfeitos amores, vida passada,
Tantos prazeres assim consumidos
Tocam a terra deixando pegadas
Marcando a ilusão, sonhos sucumbidos...

Tantas marcas de sôfregos prazeres
Nunca esquecidos nos passos do tempo,
Ainda desfilam na tênue bruma...

Perdem-se, enfim, os sonhos ao relento,
Dispersam-se também todos os seres
E estas imagens não ficam... nenhuma...

sábado, 14 de agosto de 2010

A NOIVA MORTA


Alberto Afonso Landa Camargo

Como se a morte lhe realçasse a beleza
Parecia dormir em sua placidez.
Deitada estava em branco a noiva do infortúnio
E em seu sonho eterno a virgem se consumia.

Quem visse o corpo inerte na sua pureza
Teria em toda aquela branca palidez
Não mais que da suprema morte o eterno eflúvio
De quem na vida para o amor viveu um dia.

Era o retrato da alma pura adormecida
No leito, pálida, a irradiar na tarde amena
Raios do poente a esperar a lua amiga.

Era o branco véu cobrindo a face serena
Onde, na transparência, em sua despedida
A boca inerte em beijo mudo adeus acena.

domingo, 1 de agosto de 2010

CANTO DE SAUDADE


Alberto Afonso Landa Camargo

Desfazem-se os dias
Num canto de saudade...
Refazem-se as horas
Na saudade posta...
Canto das horas, canto dos dias,
Tristezas silentes
Que dizem dos versos
Que saem da alma
E se perdem no tempo...