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domingo, 20 de dezembro de 2009

RECORDAÇÕES


Alberto Afonso Landa Camargo

Vi meus ímpetos arrefecidos
A encurtarem meus passos
E o tempo debruçou-se em meus ombros...
Foram-se as estrelas
Que descansavam nas aguadas
E só acordavam para requebrar
Nas ondas tocadas pelo vento...
E enquanto distraiu-se a saudade
E fechou-se o sambódromo dos astros,
Dispersaram-se os sonhos de ontem
No fim da passarela...

sábado, 12 de dezembro de 2009

A AUSÊNCIA DOS DIAS



Alberto Afonso Landa Camargo

Não há mais a suavidade dos dias...
Para onde ela foi deixando a saudade
Das manhãs outonais, das tardes macias,
Das noites claras e suas estrelas?


A suavidade dos dias
Quem sabe se perdeu
No tempo, nas mágoas de hoje,
Nos sonhos que não se realizaram.


Quem sabe ela sumiu
No olhar perdido no vento,
No saltitar incerto das folhas
Espalhadas pelo chão...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O MUNDO DO POETA



Alberto Afonso Landa Camargo

O poeta triste que amarga
As dores da saudade, do amor,
No olhar de quem as flores desfolham
Ao toque das mãos...
O poeta de tristes versos
Que choram o que sente,
Que despistam a solidão,
Que divertem seus sonhos
Que sabem das mágoas
E compreendem que ele
Não é o que diz ser...
O poeta da vida amarga
Disfarça seu mundo,
Sofre sozinho a dor
Que é só sua, chora o mundo
Que é só seu, despreza o mundo
Que não se converte
Na tristeza do seu eu...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

OS VERSOS QUE EU QUERIA TER ESCRITO


Alberto Afonso Landa Camargo
Os versos que eu queria ter escrito
Seriam de recordações,
Falariam do menino, das suas ilusões,
Diriam dos sonhos que foram com a poeira
Que o vento levantou da rua de terra...

Os versos que eu queria ter escrito
Penetrariam nos sonhos
Que não se realizaram
E ficaram nas noites, pararam nas estrelas
Deixando a terra carente do que sonhei...

Os versos que eu queria ter escrito
Trariam à memória
As musas dos poemas que escrevi,
Cada uma das eternas namoradas
Que ficaram acenando quando parti...

Os versos que eu queria ter escrito
Teriam na sua inspiração
Aquela que é eterna nos meus sonhos
E a sua imagem se perdendo
No olhar triste de quem se foi...

Os versos que eu queria ter escrito
Teriam a volta
E terminariam num reencontro,
Que só existe na minha lembrança
E só é eterno nos meus sonhos...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A NOITE EM MIM




Alberto Afonso Landa Camargo

Meus olhos não vêem um céu estrelado,
Coberto que está pelas nuvens negras do tempo...
Minhas lágrimas perderam a liberdade,
Confundidas que foram com a torrente
De águas que escorre pelo meu rosto
E vertem-nas em correntezas comuns
De um sonho qualquer...
Meus passos não mais seguem o rumo
Que tracei na estrada,
Silenciosa que está porque não há vento
A levar meus pensamentos
E conduzi-los pelos caminhos...
Parei no tempo a contemplar o vazio,
Foram-se as esperanças,
Perdi o passado, esqueci meus sonhos
E parei de sonhar...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

MARÉ BAIXA




Nadir A D’Onofrio
Ah! quem dera, a maré baixa
Enxugasse meu pranto
Deixasse leve minh’alma
Quebrasse o encanto


Metamorfoseie a realidade
Vivendo a ilusão
Vestida na ambigüidade
Desacelere coração...


Não se equipare a onda revolta
Querendo perfurar rochedo
Tsumani que devasta!


Seja a calmaria do luar
Sobre o mar, como esteira
Curve-se...deixe o furacão passar...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

INDIFERENÇA




Alberto Afonso Landa Camargo

Nem lembro quantas vezes parti
e voltei,
pouco me importa por quantos caminhos
andei
nem as pedras no chão que aos trancos
pisei...

Nem quero saber dos dias passados,
sofridos,
dos meus ímpetos nem sempre
contidos,
dos males do coração
emergidos
muito menos dos sofrimentos
e castigos...

Quero hoje a paz da tarde outonal,
amena,
a visão das folhas secas caindo,
serenas...

Quero os amores todos para trás
deixados,
fluindo no piscar dos olhos
marejados,
contemplando a tarde que se esvai nos sonhos
passados...