Seguidores

domingo, 25 de abril de 2010

O CAMINHO DO CÉU



Alberto Afonso Landa Camargo

O louco sozinho caminha na noite,
Para na igreja, contempla a torre
O caminho do céu...
A porta se fecha, à torre não chega,
As estrelas cintilam, os olhos se cerram
E o louco sozinho
Está longe do céu...
Chega outra noite de estrelas sem brilho
E o louco sozinho na frente da igreja
Olha a torre,
O caminho do céu...
A porta está aberta, pisa os degraus,
Chega no alto da torre imponente,
O caminho do céu...
O brilho dos olhos acende as estrelas
A distância não cede...
Ele olha os astros
Longe das mãos, sentidos aos olhos,
Na distância perdidos, apagando esperanças
De ver o caminho...
E o louco sozinho, triste descobre
Que a torre imponente não é o caminho
Que leva ao céu...

E ele vaga perdido na noite,
Não há brilho de estrelas
Nem caminhos ao céu...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

POSSE


Alberto Afonso Landa Camargo

Tenho meus sonhos
A conduzir minhas mãos
Que rabiscam versos...

E quando não mais sonhar
Sofrerei a sua falta
Perdido que estarei
Nas minhas divagações...

quarta-feira, 31 de março de 2010

O SILÊNCIO DOS VERSOS


Alberto Afonso Landa Camargo

Vou silenciar meus versos,
Varrê-los do planeta
Para não aumentar as frustrações...
A platéia está ali,
O auditório está lotado
Mas as mentes estão ao largo...
Os olhos não fitam o palco
E não mais que três pares de mãos
Batem palmas,
Quem sabe por pena
De quem pensava ser poeta.
Platéia e palco se confundem,
Não mais estarei nas luzes
E enquanto aplaudo os que estarão,
Silenciarei meus versos
Para enfim sepultá-los
Na minha intimidade,
Única leitora das próprias mágoas...
Vou seguir solitário
A dizer da minha alma...

sexta-feira, 12 de março de 2010

A SOMBRA


Alberto Afonso Landa Camargo

Da janela embaçada vejo a lua
Clareando a solidão deste momento,
Pelas noites desfila a imagem tua
Num ondear escuro e de passo lento.

Ajudam as folhas e ajuda o vento
Acalentando livre a sombra nua
Que se sobressai neste encantamento
Em que este quadro belo continua.

No vaivém que povoa a suave brisa,
Do sereno que sai da pedra lisa
Desnuda-se também a noite clara.

O alegre saltitar do gênio errante
Cobre a lua que se vai neste instante
E eu choro o adeus da sombra que ficara.

quinta-feira, 4 de março de 2010

INFINITO


Alberto Afonso Landa Camargo

Quando eu partir
Vou deixar-te todo o amor do mundo,
Um amor controverso
Talvez sem demonstrações vivas,
Mas um amor intenso que já tens
(Sempre tiveste)
E que vi em teus olhos
Quando conheci tua alma...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

LÁGRIMAS



Alberto Afonso Landa Camargo
 
Se hoje chorasse
como nos meus tempos de menino,
ainda verteriam lágrimas
dos meus olhos vazios de esperanças.
Se me faltam as lágrimas
a irrigar os sulcos do tempo
é porque o menino chorou-as todas
com os sentimentos da criança
que não mais habitam o adulto
na introspecção solitária
que abriga, egoísta,
as lágrimas que não vêm...

sábado, 6 de fevereiro de 2010

SEPARAÇÃO


Alberto Afonso Landa Camargo

Estavas tão perto
Que um passo seria suficiente
Para alcançar-te.

Eras tão minha
Que o toque das nossas mãos
Era inevitável.

Aspirava tanto
O teu suave perfume
Que saber dos teus amores
Já não tinha
Qualquer ressentimento.

O passo foi insuficiente
Porque tinha o abismo...
O toque das mãos
Não foi mais que um sonho.

Ficou o perfume
A dizer-me da solidão...