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sábado, 14 de agosto de 2010

A NOIVA MORTA


Alberto Afonso Landa Camargo

Como se a morte lhe realçasse a beleza
Parecia dormir em sua placidez.
Deitada estava em branco a noiva do infortúnio
E em seu sonho eterno a virgem se consumia.

Quem visse o corpo inerte na sua pureza
Teria em toda aquela branca palidez
Não mais que da suprema morte o eterno eflúvio
De quem na vida para o amor viveu um dia.

Era o retrato da alma pura adormecida
No leito, pálida, a irradiar na tarde amena
Raios do poente a esperar a lua amiga.

Era o branco véu cobrindo a face serena
Onde, na transparência, em sua despedida
A boca inerte em beijo mudo adeus acena.

domingo, 1 de agosto de 2010

CANTO DE SAUDADE


Alberto Afonso Landa Camargo

Desfazem-se os dias
Num canto de saudade...
Refazem-se as horas
Na saudade posta...
Canto das horas, canto dos dias,
Tristezas silentes
Que dizem dos versos
Que saem da alma
E se perdem no tempo...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O TEMPO E A VIDA


Alberto Afonso Landa Camargo

Posso agora dizer
Que também sou tempo.
Já tive mais vida
Do que me falta viver...
Minha ânsia é a pressa
Dos caminhos...
Se pouco fiz,
Muito menos tempo
Tenho agora para fazer
O que não pude...
A vida é curta,
Com certeza vou precisar
De outra...

terça-feira, 6 de julho de 2010

E...


Alberto Afonso Landa Camargo

Entre brumas, passada vida minha,
Lançavas a inocência de criança...
Ontem eu menino, tu nas mãos tinhas
Ímpetos de mocinha na lembrança...

Mas nesses nossos sonhos infantis,
Ansiedade de puro amor menino,
Respingos da paixão que eu sempre quis...
Invadia sonho meu - pequenino -
Ansiedade do adeus que eu mesmo fiz...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

SÓ...


Alberto Afonso Landa Camargo

Estou só...
Os dias se confundem
Com meus pensamentos...
Ontem, hoje, amanhã
São o mesmo momento
Da minha solidão...
Sonhar já não me completa,
Não preenche o vazio
Do tempo
Que passa por passar
Carregado de nada
Num tic-tac que não mais
Preenche o meu olhar...
Estou só...

terça-feira, 22 de junho de 2010

ABSTRAÇÃO

 

Alberto Afonso Landa Camargo

Quando eu morrer não quero as pompas
Nem os choros, muito menos remorsos e saudades.
Só o velar de antigas namoradas
Que povoaram minha infância
Na pureza do menino
Que não sabia das dilacerações
Da alma...

Não importa o tempo inclemente ou a partida
Cedo, mas a espera, a ajuda no caminho,
Onde cada uma flutuará ao meu encontro
Entre as brumas do entardecer outonal
Com a pureza das meninas gentis que foram,
Abafando ais nos corações em suspiros
A cada serenata...

Quero ser o menino novamente
A segurar timidamente suas mãos
Enquanto o coração palpita como antes
Como se fosse sair pela boca ofegante
Sublimando-se na vida que se esvai
Para entregar-me eterno ao som
Da música que se solta
Aos ares...

E o canto será também inspiração
A continuar meus versos apaixonados
No silêncio etéreo a sublimar
Seu encanto
Que em cada saudade
Terá um pouco de mim...