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domingo, 18 de março de 2012

DESPERTAR

 
Alberto Afonso Landa Camargo

Foi num sonho que morri sozinho
Perdido na escuridão dos tempos...

Fiquei no silêncio dos caminhos
Sem um rumo certo para seguir...

Ao despertar do sono convulsivo
Senti o ar e o cheiro das flores
Que passavam pela janela
E invadiam meu quarto...

Meus passos soaram pelo ambiente,
Pisei nas folhas na terra caídas
E a rua me mostrou que há vida...

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O POETA ESQUECIDO


Alberto Afonso Landa Camargo

O poeta cantava
Seus sonhos dispersos,
Dizia dos seus amores
Vagava pelo infinito
Evaporava sentimentos
Guardava no coração
Cada gota que recolhia
Nas manhãs da esperança...

O poeta envelheceu,
Continuou a colher sentimentos
Embalados pelos sonhos...
Só as mãos trêmulas
Mudaram o rumo da pena
E se transformaram em ondas
No mar ondulante
Das suas dilacerações...

Ah... E as folhas dançando
Pelo rumo incerto
No balanço do tempo
Que ditava o tremor das mãos,
Como elas agora descansam
No outono da minha saudade...

Quanta saudade! Faço estes versos
numa homenagem ao meu querido Vô Alberto.
Como ele, tenho esta mania de rabiscar versos...
Vô! Te amo!...

domingo, 8 de janeiro de 2012

ANIMA MEA


ALBERTO AFONSO LANDA CAMARGO

Teus olhos são poemas,
Faço versos cada vez
Que os tenho diante de mim,
Encantos da própria alma
Que conheci quando os pintei
Pela vez primeira...
olhos que são cores
De um verde-mar distante,
Espelhos de mim mesmo,
 Da tua alma que descobri
Ao descrevê-los em cada palavra...
Prisão da minha sensibilidade,
Perpétua a conduzir meus sonhos...

sábado, 12 de novembro de 2011

RECORDAÇÕES DA SANTIAGO DO MEU TEMPO


Alberto Afonso Landa Camargo

Em nossos pensamentos de criança
Queremos que o tempo passe ligeiro
Para chegarmos à maioridade...
Com rapidez queremos ser adultos
E o tempo passa devagar e a infância
Se arrasta lenta, lenta no potreiro
Da vida, cuja tenaz mocidade
Enxerga um futuro de incertos vultos...

Quantas vezes eu quis ter dezoito anos
Para que pudesse entrar no “Imperial”,
Ver filmes proibidos da “Bardot”
Em sua bela e elegante nudez...
Mas nós, barrados na porta, eu e meus manos,
Já vetados em nome da moral,
Íamos para casa e em nossa dor
Ficávamos a esperar outra vez...

Brinquedos na minha rua de terra
Com os amigos da infância querida...
De noite a serenata às menininhas,
Que ansiosas esperavam nas janelas
A voz que subia ao éter em guerra
Por um sorriso da mãe agradecida
Lhes permitindo ouvir as vozes minhas...
Ah! Não voltam mais as noites aquelas!

Nos domingos, no “Ferroviário” os jogos
De futebol e os gritos das torcidas
Que lotavam o campo de contendas,
Pelejas do Riachuelo e do Ferrinho...
A cerca a gurizada, como fogos,
Pulava na multidão em meio às brigas...
E tudo isso era alegria, oferendas
Desse tempo de amor e de carinho.

Estranha ironia que nos assalta
E nós que adultos queríamos ser,
Apressados nos sonhos infantis,
Hoje queremos os tempos de outrora,
Aqueles tempos que não voltam
Mas que nos são permitidos rever
Nos olhos das menininhas gentis
Que povoam os meus sonhos de agora...

Longe de tudo neste exílio meu,
Quero ser o menino novamente
Daquele passado amigo e feliz
Que as recordações me assaltam em sonhos!
Quero dissipar de todo este véu
Que separa o passado do presente!
Quero estar nesse passado que eu fiz
Com outros, ora alegre, ora tristonho!

Mas hoje... como estará a minha rua?
E os meus amigos dela onde estarão?
Que é feito do Riachuelo e do Ferrinho
E dos bons domingos de futebol?
Será que encontro ainda a mesma lua,
Teto das serenatas ao violão
Que enchiam de amor as menininhas
Da janela até a aurora e ao arrebol?
 
Não... a voz que um dia se perdeu nos ares
Hoje encontrará a janela vazia...

sábado, 22 de outubro de 2011

SEPARAÇÃO


Alberto Afonso Landa Camargo

Toca-me a alma quando elevo a face
Para sentir o aroma do teu corpo,
Toca-me o coração esta saudade
Que as rugas do meu rosto não ausentam.

Em vão tento fugir do meu passado
Para esquecer-te em minhas desventuras,
Em vão tento trocar meus sentimentos
Silenciando-me a voz em meus caminhos.

Sinto-me perdido com tua ausência,
Desesperado busco a tua imagem,
Mas somes com as brumas do meu tempo.

Perdem-se as esperanças do reencontro
Alternam-se as dores e o coração
Meu despedaça-se a chorar sozinho.