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domingo, 11 de maio de 2014

CONTINGÊNCIA

Alberto Afonso Landa Camargo

Morre-se um pouco a cada instante,
Morte lenta desde o abrir dos olhos pela vez primeira.
Tortura silenciosa de que não nos damos conta...

Um tempo que se esconde
Para um dia ter fim.

domingo, 1 de dezembro de 2013

NOSTALGIA

 
Alberto Afonso Landa Camargo
Ficou para trás a inocência...
A voz que dizia o nome todo
Sempre que se fechava nalgum desgosto inocente
Calou com o andar do tempo
Esquecidos os momentos de então...
Amareleceu a imagem que guardava
Num lugar qualquer ao alcance das mãos
E deu lugar à realidade presente,
Que se distancia das lembranças
Vivas só nos versos da saudade...
...E sentado no alpendre dos desígnios,
Olhando o horizonte longe e perdido,
Somem as imagens aos poucos
Levadas como poeira pelo vento...

domingo, 17 de novembro de 2013

INDELEBILIS

 
Alberto Afonso Landa Camargo 

Flores dobradas pelo vento, perfumes do passado
Que não se fez futuro e se perdeu nas andanças...
Quem sabe ainda escondam na praça da saudade
Um banco esquecido entre elas, testemunha
Solitária de um sonho que ficou no tempo,
Que é só lembrança... mãos dadas... carinho permitido...
Fotografia amarelecida de uma felicidade breve
Que se perdeu em tantas incompreensões...
Mãos que se soltaram com promessas de reencontro,
E insistem perdidas nas distâncias eternas
De um aceno que nunca se desfez...

domingo, 29 de setembro de 2013

CONTINGÊNCIA

 
 
Alberto Afonso Landa Camargo 
A morte dispensa o poeta, chega para ele e diz:
- Não me adianta levar teu corpo,
Ainda estarás vivo na tua poesia...
Vai... segue o teu caminho, vive a tua liberdade,
Diz do que sentes e está à tua volta
Mas também canta o que outros não veem,
Transcende, vai além do possível...
Anda pelas ruas de terra da tua saudade,
Passeia nas brumas, nas sombras
E também nas noites enluaradas
Por onde se encontram os espíritos inquietos...
Vai... segue o teu caminho...


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

PRA TI, GURIA...


Alberto Afonso Landa Camargo

O verde dos teus olhos é a natureza
E o teu olhar pulsa nas transformações dos dias
Como se o mundo esteja neles...
Giram ao redor e fazem pulsar a vida
Num coração que era perdido...
São eles que me chamam e me prendem
No suave passar de cada momento
Acorrentando-me como prisioneiro
No universo dos teus sonhos...

domingo, 21 de julho de 2013

DESPERTAR



Alberto Afonso Landa Camargo
Foram tantos sonhos, que o mundo foi esquecido
Disperso em tantos devaneios perdidos
Nos caminhos tortuosos e sem esperanças...
Desperto em meio do caminho,
Ainda perdido no tempo e sem rumo,
Descobre-se na vertente cristalina
À beira da estrada sem fim
A imagem que nunca quisera enxergar...
As marcas das pegadas em passos trêmulos
Ficam no tempo e aos poucos somem...
E ao som e sabor do vento que as dispersa
O caminho agora tem rumo...