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segunda-feira, 7 de maio de 2012

PIAZITO



Alberto Afonso Landa Camargo

Piazito de calças curtas,
Pés no chão, orelhas sujas,
No entrevero dos brinquedos
Se juntando à gurizada
Olhava no fundo d’alma
Sem saber do seu futuro...

E nessa sua alegria
Nas corridas da pantana,
Na procura do esconder,
Nos pingos fortes da chuva
Da caudalosa corrente
Do seu rio de sarjeta... ia...
E a corrida de palitos
Que desciam pelas águas
Encalhando muitas vezes
Era tristeza, alegria
No seu rosto de criança,
Nos gritos de - já se vieram!
Parece estranho, irônico,
Que a alegria de criança
Se tenha ficado atrás
Com a pantana, o esconder,
Quem sabe lá na rua
Sem água com o palito...

Piazito de calças curtas,
Pés no chão, orelhas sujas,
No entrevero dos brinquedos
Ficou o sonho passado
Na ilusão de quem partiu...

terça-feira, 3 de abril de 2012

MIENTRAS ELLA DUERME...




Alberto Afonso Landa Camargo

Despierta ahora de tus sueños...
Mientras duermes escondes
El verde de tus ojos
Y tu cálida mirada se pierde
En los tiempos y en la  eternidad
De cada momento...
Despierta ahora, listo,
Porque mirarte mientras duermes
Me trae el tiempo y el anhelo de no tenerte
Conmigo para seguir juntos
Un camino en que no hay desacuerdos...
Abre tus ojos... mírame...
Porque a mirarte estoy
Para no perderte... nunca...

domingo, 18 de março de 2012

DESPERTAR

 
Alberto Afonso Landa Camargo

Foi num sonho que morri sozinho
Perdido na escuridão dos tempos...

Fiquei no silêncio dos caminhos
Sem um rumo certo para seguir...

Ao despertar do sono convulsivo
Senti o ar e o cheiro das flores
Que passavam pela janela
E invadiam meu quarto...

Meus passos soaram pelo ambiente,
Pisei nas folhas na terra caídas
E a rua me mostrou que há vida...

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O POETA ESQUECIDO


Alberto Afonso Landa Camargo

O poeta cantava
Seus sonhos dispersos,
Dizia dos seus amores
Vagava pelo infinito
Evaporava sentimentos
Guardava no coração
Cada gota que recolhia
Nas manhãs da esperança...

O poeta envelheceu,
Continuou a colher sentimentos
Embalados pelos sonhos...
Só as mãos trêmulas
Mudaram o rumo da pena
E se transformaram em ondas
No mar ondulante
Das suas dilacerações...

Ah... E as folhas dançando
Pelo rumo incerto
No balanço do tempo
Que ditava o tremor das mãos,
Como elas agora descansam
No outono da minha saudade...

Quanta saudade! Faço estes versos
numa homenagem ao meu querido Vô Alberto.
Como ele, tenho esta mania de rabiscar versos...
Vô! Te amo!...

domingo, 8 de janeiro de 2012

ANIMA MEA


ALBERTO AFONSO LANDA CAMARGO

Teus olhos são poemas,
Faço versos cada vez
Que os tenho diante de mim,
Encantos da própria alma
Que conheci quando os pintei
Pela vez primeira...
olhos que são cores
De um verde-mar distante,
Espelhos de mim mesmo,
 Da tua alma que descobri
Ao descrevê-los em cada palavra...
Prisão da minha sensibilidade,
Perpétua a conduzir meus sonhos...