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domingo, 5 de dezembro de 2010

TUS OJOS



Alberto Afonso Landa Camargo

Además de los misterios de la vida
Yo encuentro el verde de tus ojos
Que miran y encantan la luz del dia
Y el resplendor de la noche com sus estrellas...
Déjame ser tu mirar al frente
Para comprender la inspiración
De mis poemas que vuelan por las calles
De mis más queridos sueños...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

VAGUEANDO



Alberto Afonso Landa Camargo

Campereando meu destino
Vaguei longe, mundo afora.
Fui no tempo de menino
Luzir e brilho de espora.
Acendi fogo de chão
Nas tremendas noites frias,
Aqueci meu chimarrão
Na cambona, nas coxilhas.

Enfrentando mil peleias
Campo afora, nas aguadas
Refletindo a lua cheia
Nas mais frias madrugadas...
Ouvi meus ais, meus anseios
De gozo de liberdade.
Nesses crus, grandes rodeios
Terminei a mocidade.

E vaguei, vaguei, vaguei
Pelos campos e canhadas,
Grilhões, correntes quebrei
Em rusgas encarniçadas.
Levei longe o meu grito,
Ampliei minha vontade,
Mas nem perto do infinito
Não achei a liberdade...

E vaguei, vaguei, vaguei...
Não achei a liberdade...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

DEDICATÓRIA


Alberto Afonso Landa Camargo

Estes versos dedico ao que falta
Nos meus versos...
Aos caminhos imprecisos,
Às suas dilacerações,
Contradições e espírito partido...
Dedico ao que está perdido
Nos meus sonhos,
Ao que não consigo dizer,
À ânsia que sinto
Pela palavra que não vem...
Dedico enfim
Ao que não está nos meus versos
Mas mora eternamente em minha alma...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

RELÍQUIAS E SONHOS


Alberto Afonso Landa Camargo

Fiz de relíquias
Enfeites para o meu coração.
Pulsaram sonhos, matéria
Com formas, jóias
De prazer que os
Olhos admiraram...
Brilho intenso
Nas noites de festins e a troca
De amores fúteis,
Vãs professias nas cartas
Escritas só pelas mãos...

Vieram os anos,
Gastaram-se as relíquias
Que perderam o brilho,
Espatifadas no chão
Mais infecto
Dos meus sonhos...
Foram-se os prazeres,
Não pela minha vontade,
Mas porque faltaram
As atrizes dos festins
Que riram de mim
E dos meus cantos...

Fiquei sozinho
Sem partilhar as saudades,
Só elas, que movem
Meus sonhos esquecidos
E que só vivem
Em minhas divagações...

domingo, 19 de setembro de 2010

INCOMPLETA


Alberto Afonso Landa Camargo

É esta ânsia incontida de dizer tantas coisas
Que me põe em choque com meu coração.
Enquanto ele exige que palavras brotem
Não as encontro...

Aspiro a tua imagem quando entra o luar
No meu quarto... parece que deslizas pelos raios lívidos
Que serpenteiam no brilho da poeira
Que joga diamantes no ar.

Brotam inspirações para descrever-te,
Parece que enfim as palavras encontro
Mas acaba ficando a ânsia de não saber dizer
E te postas incompleta.

Que desgosto ser poeta e não encontrar versos
Para descrever-te... ter-te inteira refletida no coração
Mas incompleta nas palavras que escrevo...

E continuas ausente na minha poesia...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

SENSAÇÕES


Alberto Afonso Landa Camargo

Caminhos dispersos, encruzilhada
Por onde também sem rumo transito...
Procuro sonhos perdidos na estrada,
Sabor amargo do tempo esquecido...

Desfeitos amores, vida passada,
Tantos prazeres assim consumidos
Tocam a terra deixando pegadas
Marcando a ilusão, sonhos sucumbidos...

Tantas marcas de sôfregos prazeres
Nunca esquecidos nos passos do tempo,
Ainda desfilam na tênue bruma...

Perdem-se, enfim, os sonhos ao relento,
Dispersam-se também todos os seres
E estas imagens não ficam... nenhuma...

sábado, 28 de agosto de 2010

sábado, 14 de agosto de 2010

A NOIVA MORTA


Alberto Afonso Landa Camargo

Como se a morte lhe realçasse a beleza
Parecia dormir em sua placidez.
Deitada estava em branco a noiva do infortúnio
E em seu sonho eterno a virgem se consumia.

Quem visse o corpo inerte na sua pureza
Teria em toda aquela branca palidez
Não mais que da suprema morte o eterno eflúvio
De quem na vida para o amor viveu um dia.

Era o retrato da alma pura adormecida
No leito, pálida, a irradiar na tarde amena
Raios do poente a esperar a lua amiga.

Era o branco véu cobrindo a face serena
Onde, na transparência, em sua despedida
A boca inerte em beijo mudo adeus acena.

domingo, 1 de agosto de 2010

CANTO DE SAUDADE


Alberto Afonso Landa Camargo

Desfazem-se os dias
Num canto de saudade...
Refazem-se as horas
Na saudade posta...
Canto das horas, canto dos dias,
Tristezas silentes
Que dizem dos versos
Que saem da alma
E se perdem no tempo...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O TEMPO E A VIDA


Alberto Afonso Landa Camargo

Posso agora dizer
Que também sou tempo.
Já tive mais vida
Do que me falta viver...
Minha ânsia é a pressa
Dos caminhos...
Se pouco fiz,
Muito menos tempo
Tenho agora para fazer
O que não pude...
A vida é curta,
Com certeza vou precisar
De outra...

terça-feira, 6 de julho de 2010

E...


Alberto Afonso Landa Camargo

Entre brumas, passada vida minha,
Lançavas a inocência de criança...
Ontem eu menino, tu nas mãos tinhas
Ímpetos de mocinha na lembrança...

Mas nesses nossos sonhos infantis,
Ansiedade de puro amor menino,
Respingos da paixão que eu sempre quis...
Invadia sonho meu - pequenino -
Ansiedade do adeus que eu mesmo fiz...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

SÓ...


Alberto Afonso Landa Camargo

Estou só...
Os dias se confundem
Com meus pensamentos...
Ontem, hoje, amanhã
São o mesmo momento
Da minha solidão...
Sonhar já não me completa,
Não preenche o vazio
Do tempo
Que passa por passar
Carregado de nada
Num tic-tac que não mais
Preenche o meu olhar...
Estou só...

terça-feira, 22 de junho de 2010

ABSTRAÇÃO

 

Alberto Afonso Landa Camargo

Quando eu morrer não quero as pompas
Nem os choros, muito menos remorsos e saudades.
Só o velar de antigas namoradas
Que povoaram minha infância
Na pureza do menino
Que não sabia das dilacerações
Da alma...

Não importa o tempo inclemente ou a partida
Cedo, mas a espera, a ajuda no caminho,
Onde cada uma flutuará ao meu encontro
Entre as brumas do entardecer outonal
Com a pureza das meninas gentis que foram,
Abafando ais nos corações em suspiros
A cada serenata...

Quero ser o menino novamente
A segurar timidamente suas mãos
Enquanto o coração palpita como antes
Como se fosse sair pela boca ofegante
Sublimando-se na vida que se esvai
Para entregar-me eterno ao som
Da música que se solta
Aos ares...

E o canto será também inspiração
A continuar meus versos apaixonados
No silêncio etéreo a sublimar
Seu encanto
Que em cada saudade
Terá um pouco de mim...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

SÚPLICA


Alberto Afonso Landa Camargo

Conheço a tua alma
de tantas vezes que ávido devorei teu canto.
Tua imagem ainda é um vulto
que vaga nas brumas
do meu pensamento...
Que não se desfaçam
para que eu continue
na procura incessante
do teu rosto e só assim
eu o tenha inteiro, eterno,
na névoa dos meus sonhos...

segunda-feira, 31 de maio de 2010

LUBRICIDADE


Alberto Afonso Landa Camargo

Raio de luar batendo na face
Nesta noite clara que se inicia...
Ilumina o quarto pela janela
E desnuda, branco, o teu seio amado...

Voa a cortina e lívido aparece
O colo virgem como a aguardar
A seta do amor que rígida e forte
Quer penetrar como raio, impaciente...

Como pássaro voando descuidado
Tira o néctar das pétalas rosadas,
Aprofunda... raso... essência do amor...

E o amor se esvai como se esvai o raio
Deixando as marcas da felicidade
No seio, no colo, no corpo enfim...

terça-feira, 25 de maio de 2010

INTERROGAÇÃO


Alberto Afonso Landa Camargo

Para lá dos tempos
Continuarei a viver esperanças
Não interromperei minhas caminhadas
Nem os sonhos que criei...
Levarei a história passada
Viverei cada momento de hoje
Acenarei ao futuro,
Esta espera conhecida
Que será outra vez a história, o presente
E outro futuro a dizer
Que as marcas de hoje
Nada mais foram que a preparação
Das notas dispostas na pauta...
E ao olhar para trás lá estarão
Os sulcos dos meus passos
Quem sabe a marcar o caminho
A garantir o retorno... uma dúvida
Que não sei resolver...

domingo, 23 de maio de 2010

ETERNO


Alberto Afonso Landa Camargo

Sempre que digo teu nome
Embarga-me a mesma voz adolescente
Que um dia o pronunciou
Pela primeira vez...

Sempre que rabisco meus versos
Tremem-me as mesmas mãos adolescentes
Que para ti escreveram
O primeiro poema...

Sempre que te olho
Embaçam-me os mesmos olhos adolescentes
Que na tarde outonal te viram
Pela primeira vez...

Sempre que acaricio teu corpo
Incendeia-me o adulto
Com o mesmo amor adolescente
Do primeiro encontro...

domingo, 25 de abril de 2010

O CAMINHO DO CÉU



Alberto Afonso Landa Camargo

O louco sozinho caminha na noite,
Para na igreja, contempla a torre
O caminho do céu...
A porta se fecha, à torre não chega,
As estrelas cintilam, os olhos se cerram
E o louco sozinho
Está longe do céu...
Chega outra noite de estrelas sem brilho
E o louco sozinho na frente da igreja
Olha a torre,
O caminho do céu...
A porta está aberta, pisa os degraus,
Chega no alto da torre imponente,
O caminho do céu...
O brilho dos olhos acende as estrelas
A distância não cede...
Ele olha os astros
Longe das mãos, sentidos aos olhos,
Na distância perdidos, apagando esperanças
De ver o caminho...
E o louco sozinho, triste descobre
Que a torre imponente não é o caminho
Que leva ao céu...

E ele vaga perdido na noite,
Não há brilho de estrelas
Nem caminhos ao céu...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

POSSE


Alberto Afonso Landa Camargo

Tenho meus sonhos
A conduzir minhas mãos
Que rabiscam versos...

E quando não mais sonhar
Sofrerei a sua falta
Perdido que estarei
Nas minhas divagações...

quarta-feira, 31 de março de 2010

O SILÊNCIO DOS VERSOS


Alberto Afonso Landa Camargo

Vou silenciar meus versos,
Varrê-los do planeta
Para não aumentar as frustrações...
A platéia está ali,
O auditório está lotado
Mas as mentes estão ao largo...
Os olhos não fitam o palco
E não mais que três pares de mãos
Batem palmas,
Quem sabe por pena
De quem pensava ser poeta.
Platéia e palco se confundem,
Não mais estarei nas luzes
E enquanto aplaudo os que estarão,
Silenciarei meus versos
Para enfim sepultá-los
Na minha intimidade,
Única leitora das próprias mágoas...
Vou seguir solitário
A dizer da minha alma...

sexta-feira, 12 de março de 2010

A SOMBRA


Alberto Afonso Landa Camargo

Da janela embaçada vejo a lua
Clareando a solidão deste momento,
Pelas noites desfila a imagem tua
Num ondear escuro e de passo lento.

Ajudam as folhas e ajuda o vento
Acalentando livre a sombra nua
Que se sobressai neste encantamento
Em que este quadro belo continua.

No vaivém que povoa a suave brisa,
Do sereno que sai da pedra lisa
Desnuda-se também a noite clara.

O alegre saltitar do gênio errante
Cobre a lua que se vai neste instante
E eu choro o adeus da sombra que ficara.

quinta-feira, 4 de março de 2010

INFINITO


Alberto Afonso Landa Camargo

Quando eu partir
Vou deixar-te todo o amor do mundo,
Um amor controverso
Talvez sem demonstrações vivas,
Mas um amor intenso que já tens
(Sempre tiveste)
E que vi em teus olhos
Quando conheci tua alma...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

LÁGRIMAS



Alberto Afonso Landa Camargo
 
Se hoje chorasse
como nos meus tempos de menino,
ainda verteriam lágrimas
dos meus olhos vazios de esperanças.
Se me faltam as lágrimas
a irrigar os sulcos do tempo
é porque o menino chorou-as todas
com os sentimentos da criança
que não mais habitam o adulto
na introspecção solitária
que abriga, egoísta,
as lágrimas que não vêm...

sábado, 6 de fevereiro de 2010

SEPARAÇÃO


Alberto Afonso Landa Camargo

Estavas tão perto
Que um passo seria suficiente
Para alcançar-te.

Eras tão minha
Que o toque das nossas mãos
Era inevitável.

Aspirava tanto
O teu suave perfume
Que saber dos teus amores
Já não tinha
Qualquer ressentimento.

O passo foi insuficiente
Porque tinha o abismo...
O toque das mãos
Não foi mais que um sonho.

Ficou o perfume
A dizer-me da solidão...

sábado, 30 de janeiro de 2010

PERDAS


Alberto Afonso Landa Camargo

Ainda que tu não saibas,
Tenho tudo de ti...
Nossas ilusões se perderam
Nos tempos passados
Mas fiquei com teus sonhos
(Nossos sonhos) esquecidos
Que revivo
Nos caminhos que percorro
Sozinho...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

NÃO


Alberto Afonso Landa Camargo

Não fosse a dor da saudade
Que assola o meu coração,
Pula, brinca e o peito invade...
Te responderia - não!

Pudesse eu da claridade
Fugir para a escuridão,
Afogando esta vaidade..
Te responderia - não!

E nesta dor que fustiga
E mata tudo de pronto
E a tudo e a todos castiga

Voltei a ver a ilusão...
E correndo ao teu encontro
Não te pude dizer - não...