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terça-feira, 6 de julho de 2010

E...


Alberto Afonso Landa Camargo

Entre brumas, passada vida minha,
Lançavas a inocência de criança...
Ontem eu menino, tu nas mãos tinhas
Ímpetos de mocinha na lembrança...

Mas nesses nossos sonhos infantis,
Ansiedade de puro amor menino,
Respingos da paixão que eu sempre quis...
Invadia sonho meu - pequenino -
Ansiedade do adeus que eu mesmo fiz...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

SÓ...


Alberto Afonso Landa Camargo

Estou só...
Os dias se confundem
Com meus pensamentos...
Ontem, hoje, amanhã
São o mesmo momento
Da minha solidão...
Sonhar já não me completa,
Não preenche o vazio
Do tempo
Que passa por passar
Carregado de nada
Num tic-tac que não mais
Preenche o meu olhar...
Estou só...

terça-feira, 22 de junho de 2010

ABSTRAÇÃO

 

Alberto Afonso Landa Camargo

Quando eu morrer não quero as pompas
Nem os choros, muito menos remorsos e saudades.
Só o velar de antigas namoradas
Que povoaram minha infância
Na pureza do menino
Que não sabia das dilacerações
Da alma...

Não importa o tempo inclemente ou a partida
Cedo, mas a espera, a ajuda no caminho,
Onde cada uma flutuará ao meu encontro
Entre as brumas do entardecer outonal
Com a pureza das meninas gentis que foram,
Abafando ais nos corações em suspiros
A cada serenata...

Quero ser o menino novamente
A segurar timidamente suas mãos
Enquanto o coração palpita como antes
Como se fosse sair pela boca ofegante
Sublimando-se na vida que se esvai
Para entregar-me eterno ao som
Da música que se solta
Aos ares...

E o canto será também inspiração
A continuar meus versos apaixonados
No silêncio etéreo a sublimar
Seu encanto
Que em cada saudade
Terá um pouco de mim...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

SÚPLICA


Alberto Afonso Landa Camargo

Conheço a tua alma
de tantas vezes que ávido devorei teu canto.
Tua imagem ainda é um vulto
que vaga nas brumas
do meu pensamento...
Que não se desfaçam
para que eu continue
na procura incessante
do teu rosto e só assim
eu o tenha inteiro, eterno,
na névoa dos meus sonhos...

segunda-feira, 31 de maio de 2010

LUBRICIDADE


Alberto Afonso Landa Camargo

Raio de luar batendo na face
Nesta noite clara que se inicia...
Ilumina o quarto pela janela
E desnuda, branco, o teu seio amado...

Voa a cortina e lívido aparece
O colo virgem como a aguardar
A seta do amor que rígida e forte
Quer penetrar como raio, impaciente...

Como pássaro voando descuidado
Tira o néctar das pétalas rosadas,
Aprofunda... raso... essência do amor...

E o amor se esvai como se esvai o raio
Deixando as marcas da felicidade
No seio, no colo, no corpo enfim...

terça-feira, 25 de maio de 2010

INTERROGAÇÃO


Alberto Afonso Landa Camargo

Para lá dos tempos
Continuarei a viver esperanças
Não interromperei minhas caminhadas
Nem os sonhos que criei...
Levarei a história passada
Viverei cada momento de hoje
Acenarei ao futuro,
Esta espera conhecida
Que será outra vez a história, o presente
E outro futuro a dizer
Que as marcas de hoje
Nada mais foram que a preparação
Das notas dispostas na pauta...
E ao olhar para trás lá estarão
Os sulcos dos meus passos
Quem sabe a marcar o caminho
A garantir o retorno... uma dúvida
Que não sei resolver...

domingo, 23 de maio de 2010

ETERNO


Alberto Afonso Landa Camargo

Sempre que digo teu nome
Embarga-me a mesma voz adolescente
Que um dia o pronunciou
Pela primeira vez...

Sempre que rabisco meus versos
Tremem-me as mesmas mãos adolescentes
Que para ti escreveram
O primeiro poema...

Sempre que te olho
Embaçam-me os mesmos olhos adolescentes
Que na tarde outonal te viram
Pela primeira vez...

Sempre que acaricio teu corpo
Incendeia-me o adulto
Com o mesmo amor adolescente
Do primeiro encontro...