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sábado, 25 de agosto de 2012

TRINDADE



Alberto Afonso Landa Camargo
 
Distância...
Olhos marcados pela lágrima nascida
Que desce pela face sulcando o rosto
Como a reprisar a estrada perdida
E sem fim que marca o tempo...
 
Longe e perto...
Reflexões filosóficas, abstrações da alma
Que não se fazem concretas
Mas distraem o coração abstraído
Afastando e aproximando mãos...
 
saudade...
Para quem não importam distâncias
Nem tempos perdidos nos sonhos
E diz das marcas abertas
Pelas lembranças, risos, prantos...

domingo, 15 de julho de 2012

QUADRO




Alberto Afonso Landa Camargo

Pintei teus olhos para conhecer tua alma,
Deslizei o pincel nas curvas da saudade...

Desvendei teu corpo na tela e as cores
Da tua alma incendiaram minhas mãos...

Tremeram meus lábios e continuei mudo,
Engoli as palavras que teimaram em não sair...

E a tua alma era a minha mesma que esperava
O sopro da vida para caminharmos juntos...

Saímos... voltei os meus para ver os olhos frios
Que ficaram perdidos na tela esmaecida...

E seguimos juntos... teus olhos nos meus
Descobrindo os caminhos...

domingo, 8 de julho de 2012

IGREJA DA MATRIZ




Alberto Afonso Landa Camargo

Passa pela lembrança da infância
E nos meus sonhos de adolescente
A Igreja da Matriz que a insensatez
Um dia destruiu...

O culto de Deus e dos santos
Cedeu ao culto da modernidade
Sepultado nas ruínas das paredes
Que guardavam a história...

Sepultou-se um patrimônio
Sob o alicerce da vaidade
Perdeu-se no tempo o toque do sino
Na Hora do Angelus, memória inapagada
Das tardes mornas de outono
Que desce pelo rosto nas lágrimas
Que choro nesta angústia
Que é poeira misturada
Na imagem que é só saudade...

sábado, 30 de junho de 2012

A CURVA DO CAMINHO



Alberto Afonso landa Camargo

Os lábios dela, tão belos, tão finos,
Tão suaves no seu lento balbuciar
Das palavras, carinhos, ternos mimos
COMO preciosas pedras... soluçar...

No leito ardente ONDE TAMBÉM CAÍMOS,
Por onde sôfregos a deslizar
Tínhamos a prece Do amor e vimos
Um tudo dizer sem nada falar...

O tempo passou sem vivermos tudo,
Não enxergávamos a dobra amena
Que ao longe esconde o resto do caminho...

E ela saiu cedo e o fadário mudo
Soltou-nos tristes a vagar sozinhos
Na última curva de uma estrada extrema...

terça-feira, 5 de junho de 2012

SAUDADES


Alberto Afonso Landa Camargo

Confiei minhas saudades ao tempo
E ele as devolveu para mim...
Entranharam-se de tal maneira
Que não me desfaço delas
Ainda que queira...
E o tempo indiferente
Branqueou meus cabelos,
Sulcou meu rosto
E elas se amontoam
Nas minhas recordações...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

PIAZITO



Alberto Afonso Landa Camargo

Piazito de calças curtas,
Pés no chão, orelhas sujas,
No entrevero dos brinquedos
Se juntando à gurizada
Olhava no fundo d’alma
Sem saber do seu futuro...

E nessa sua alegria
Nas corridas da pantana,
Na procura do esconder,
Nos pingos fortes da chuva
Da caudalosa corrente
Do seu rio de sarjeta... ia...
E a corrida de palitos
Que desciam pelas águas
Encalhando muitas vezes
Era tristeza, alegria
No seu rosto de criança,
Nos gritos de - já se vieram!
Parece estranho, irônico,
Que a alegria de criança
Se tenha ficado atrás
Com a pantana, o esconder,
Quem sabe lá na rua
Sem água com o palito...

Piazito de calças curtas,
Pés no chão, orelhas sujas,
No entrevero dos brinquedos
Ficou o sonho passado
Na ilusão de quem partiu...